Minimalismo Digital

A descoberta do açúcar

1998 foi o ano em que li o livro Sugar Blues. Escrito em 1975 por William Dufty, é uma obra essencial para quem quer compreender os efeitos do açúcar refinado no organismo humano, apresentando simultaneamente alternativas para uma “vida doce e saudável sem açúcar”.

Depois de ler este livro estive 6 meses sem tocar em qualquer produto que contivesse esta substância.

Esta determinação estendeu-se até aos dias de hoje e se consumo é de forma consciente em situações especiais – o que por exemplo este ano ainda não aconteceu.

Quem aspira a uma vida saudável e recolheu alguma informação sobre este produto conhece os efeitos do seu consumo a curto ou médio prazo.

Sendo o açúcar hoje um assunto da moda, este livro continua como em 1975 a ser uma peça importante na compreensão da relação da alimentação com o nosso Sonho.

Outros tipos de açúcar

Este verão trouxe comigo um livro para férias, chama-se “Digital Minimalism” do autor Cal Newport. Este autor aponta um caminho para uma utilização mais consciente das redes sociais e tecnologias que abundam nas vidas dos universos mais “civilizados”.

Este não é um livro de teoria da conspiração é um livro concreto – Cal Newport é um matemático que escreve sobre a protecção de algo que temos de grande valor – a nossa atenção e de como esta se esvai cada vez que se consultam as redes sociais ou a caixa de mail, interrompendo momentos importantes das nossas vidas e retirando-lhes a atenção necessária para o que possamos viver de forma consciente e presente.

Quando introduzido em crianças estas tecnologias podem danificar de forma considerada permanente a sua capacidade de utilização da concentração e atenção.

A culpa não é do Facebook nem dos seus amigos mais próximos

A questão não são as novas tecnologias, mas como são utilizadas – como quem utiliza um martelo ou uma outra ferramenta.

Não se pode culpar o martelo se alguém que o manuseia atingir o dedo, mas a sua perícia no manuseamento do mesmo.

Se alguém se sente lesado com aqueles jogos que viciam, com as redes sociais ou com algum outro gadget, mais uma vez tudo está na forma como elas estão presentes nas nossas vidas e na capacidade de lhes conferir o local que elas merecem – de ferramentas que têm a sua utilidade num certo contexto para cumprir uma determinada função.

Mecânico, Sensorial, Emocional

Sem dúvida que os jogos e as redes sociais estão preparadas para ir ao fundo do nosso cérebro reptiliano. São preparados por psicólogos, sociólogos como quem cria uma substância aditiva em laboratório. Tão aditiva como o açúcar.

Nos 7 níveis de discernimento criados por George Ohsawa os 3 primeiros, Mecânico, Sensorial e Emocional são aqueles que levam o ser humano a reagir por impulso, de forma sem pensar, Mecânico, como quem consulta o telefone mais de 50 vezes por dia e no final do dia não tem a mínima consciência de que isso aconteceu – nessa proporção.

Do sensorial ou emocional que procura numa utilização compulsiva a satisfação das necessidades de aprovação ou de segurança de não ser deixado de fora da comunidade.

Se existe, esta adição não se ultrapassa a longo prazo com truques ou com aplicações que bloqueiam e que privam durante X tempo o acesso ao que se considera lesivo.

É como enjaular um animal, mais tarde ele vai fugir ou morder alguém.

Atenção – o nosso bem mais precioso

No Budismo Tibetano um dos factores que pode determinar a recuperação de alguém que possa estar afligido por alguma enfermidade é como se preserva a atenção, no sentido desta ser investida na recuperação da doença e não em distrações desnecessárias.

Para muitos humanos hoje a recuperação da atenção, os momentos de desconexão total e de contacto consigo e com a natureza poderão ser um dos caminhos possíveis, para curar aspectos das nossas vidas das quais se perdeu o controle, como o tempo de qualidade, a atenção à família ou o propósito pessoal que nos trouxe a esta existência, para nos fazer crescer e beneficiar quem está perto de nós.

Aqui seria a parte do artigo onde poderia oferecer soluções, mas isso não vai acontecer porque não vai adicionar nada ao que já foi escrito até hoje sobre o assunto.

Mas fica a pergunta em que a resposta deve ser escrita no papel, todos os dias pela manhã.

“Como quero investir e preservar a minha atenção hoje/agora para que seja possível fortalecer o meu sonho?”

Para além do arroz integral

Digital Minimalism é um livro para quem quer ir para além da comida, para além da promessa que comendo bem basta. Bastaria sim, para os nossos antepassados que tinham uma vida fisicamente activa e um propósito que lhes direcionava a atenção e evitava as distrações desnecessárias.

Este livro é mais um elemento que justifica a importância do Chi Kung Terapêutico e as práticas de fortalecimento interno e a razão de incluirmos estas práticas no nosso curso.

Para que, além da qualidade dos alimentos, que consideramos essencial, exista a importância em partilhar ferramentas que permitem pacificar a mente pelo enraizamento do corpo e a criar alternativas para a recuperação de tempo e espaço de qualidade nas nossas vidas.

Boas práticas.

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